13/06/2009

verdadeiro circo de feras

Deixemos correr as palavras mais do que lágrimas escondidas ao canto da alma assombrada e que se assista à fuga da dor como a mais improvável festa de despedida de uma pessoa qualquer, apenas de passagem nas nossas vidas.Somos as feras libertas no palco deste circo e pedem-nos, entre palmas semi-cerradas, que saltemos o círculo de fogo em que o Tempo nos consome...lábios cerrados num beijo de sangue, selamos a eternidade dentro da paixão que nos obriga a ficar dentro de nós mesmos.Queremos os nomes lançados como sementes, dando a vida, continuamente, a novos entes, novas formas de existência que povoem os ecos vazios que teimamos em escutar para além de todas as evidências da nossa natural solidão.O relógio não pára mesmo que o tentemos parar com promessas...por isso, entre um segundo e outro...eu aqui, tu ali...

6 comentários:

Porcelain Doll disse...

Deixemos correr as palavras... que as palavras afugentem a dor, talvez de uma pessoa qualquer, apenas de passagem nas nossas vidas, mas tão mais gratificante é quando vemos a dor fugir, mas a dor daqueles que vieram para as nossas vidas para ficar.

Não nos recordamos do momento em que decidimos ser as feras que saltam o círculo de fogo... entre palmas semi-cerradas, consumidas pelo rempo... mas é esse o circo onde damos por nós, e não existe alternativa que não as palmas semi-cerradas, que não o círco e o círculo... saltemos, já que nenhuma outra opção nos resta...

E da Eternidade engaiolada num corpo de humano, vem o preço a pagar; a paixão dá apenas a ilusão de que podemos, algum dia, sair de dentro de nós mesmos, mas apenas isso, a ilusão, mais nada.

Semeemos então; povoem-se os ecos vazios, e deixemo-nos iludir finjamos que a nossa natural solidão é possível de transgredir...

O relógio pára, porque o tempo não existe... é apenas mais um mero referencial, um preconceito, uma prisão inventada para nos libertar e nos aprisionar ao mesmo tempo...

... Mas há algo mais forte que os preconceitos, que o tempo e que os relógios... a força do amor universal, nas suas diversas formas, sendo uma delas a amizade...

;)

Que saudades de fazer isto... :D

PS: há muito que tenho vindo a pensar em algo que postar aqui... acho que finalmente o tenho em mente, mas deixa estar aqui este teu texto magnífico (quando mais circulo por aí, mais me apercebo do quão magníficos são os teus textos), por mais algum tempo... :)

Beijos, minha saudosa e querida amiga... :)

su disse...

...partilhemos, então, as palavras como lenitivos farmacêuticos extraídos a conta-gotas do que se pensa ser a nossa própria alma, partida em duas: a mente que cura e a mente que mata.

... saltemos, já que nenhuma outra opção nos resta...saltemos para gaúdio dos outros que não se vêem a saltar atrás de si mesmos...porque atrás de si mesmos queima-se uma estrada de passados entrecortados de frustrações e de alegrias, em malhas suaves e desferidas...saltemos então e que se arraste o fogo atrás de nós...

...seremos a ilusão de papel engaiolada...e os dedos que brincam em jeitos de origamis febris e deslocados de um corpo qualquer...que entra e sai da sua própria prisão...o desejo de ser eterno...

...e sempre que erguermos a máscara contra a face que as palavras sejam máscaras também de outras mais interiores, e que o seu doce veneno se disfarce do mais delicado mel... para além da solidão natural, a sombra da solidão em si mesma...

...tiremos o relógio dos pulsos, a corda que os amarra, o relógio das paredes, os alicerces que os sustêm, os relógios da vidas, o tempero dos encontros omissos e sejamos mais do que as asas: o corpo inteiro voando.

Saudades amiga. De "trabalharmos" como aranhas os nossos textos em comum! :) Saudades de muitas coisas.
Um beijo grande.

Porcelain Doll disse...

Oh minha querida (que bom é responder-te e responder-te e responder-te...)... pois se não houvesse o que causasse enfermidade, ou o perigo de morte, como experimentaríamos a cura?

Partilhemos as palavras e sintamos o seu poder curativo preencher-nos os vazios da alma, erguer-nos as forças e deixar sempre presente que a vida é capaz de coisas maravilhosas.

Saltemos de mãos dadas esse círculo de fogo, para que seja mais suave o duro exercício que nos foi imposto... para que ao invés do calor infernal das chamas, possamos senti-lo como um cálido final de tarde de primavera, depois dos gelos invernais...

Que tenhamos a liberdade de entrar e sair da gaiola... de escolher a prisão se a alma assim o pedir... e de a libertar quando for o momento certo...

e sempre que erguemos a máscara, que as palavras a façam cair novamente; que o seu doce veneno se transmute em mel, qual alquímica transmutação do pesado chumbo no belo, reluzente e valioso ouro, por tantos cobiçado. Que a nossa inevitável e natural solidão seja para sempre a nossa gaiola dourada, de porta aberta, por onde possamos voar com asas de palavras, sempre que a alma o pedir... e ir assim ao encontro de almas amigas...
libertemo-nos das cordas feitas de relógios e voemos, de corpo, mas de alma também.

:D Somos mesmo dois interessantes aracnídeos tecendo teias de palavras e ideias... minha querida mestra... se ao menos tivesses a noção do que cresci contigo... :) Tenho para contigo uma dívida de gratidão que será eterna, pois a escrita é das coisas mais importantes que possuo; e pelas tuas palavras, pela tua magia, elas cresceram e voaram... muito obrigada, minha linda... és professora de alma, na alma, tem-lo lá, ensinas com tal naturalidade que não necessitas dispender qualquer esforço para o fazer... :)

Beijo, beijo, beijoooo!! :D

gracinda disse...

E ainda bem que há quem saiba escrever assim...
Convosco parece tão mais fácil...

Beijos para as duas.

muguet disse...

xiii su, parece que, assim de repente, leste o meu pensamento... segundo a segundo, entre promessas, lá vai passando o tempo, dando mais uma volta na vida e nos caminhos que se cruzam e entrecruzam...ou talvez não mais...
a ver...a ver...

Princesa disse...

- A felicidade não está em viver, mas em saber viver. Não vive mais o que mais vive, mas o que melhor vive.
um beijo